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      Convid-19

      No Mundo e no Brasil

      No Mundo

      Esqueçam as projeções em Épocas de Pandemia

      Não há um modelo que possa estimar o nível de recessão ou o percentual de queda do crescimento econômico, advindo desta crise sanitária, provocada pelo Covid-19.

      A pandemia levará a um choque tanto do lado da oferta, quanto do lado da demanda. A produção será limitada, pela redução do trabalho e a demanda será restrita, pela falta de renda e liberdade.

      Nenhum modelo é capaz de capturar os dois choques, simultaneamente, e levar a projeções confiáveis.

      Mesmo assim, a rodada de apostas foi aberta.

      Os economistas do banco JPMorgan profetizam uma queda de 2% do PIB dos EUA. no primeiro trimestre e 3%, no segundo. Para a zona do euro imaginam uma contração de 1,8% e 3,3%, nos mesmos períodos.

      Já o Goldman Sachs reduziu drasticamente sua previsão de crescimento econômico nos EUA, espera que o PIB norte americano caia 24%, no segundo trimestre de 2020.

      Uma queda dessas estabeleceria um recorde – seria quase duas vezes e meia a queda de 10% ocorrida em 1958, em função da Gripe Asiática (H2N2) que matou 2 milhões de pessoas.

      As primeiras estimativas da Barclays Capital, após a Covid-19, apostavam em um crescimento econômico de 3,2% para a China, em 2020, mas a última atualização já reduziu a aposta para apenas 1,3%.

      Se modelos de projeção não abrigam tantas premissas e não oferecem um guia confiável do futuro próximo, poderíamos apelar a experiências semelhantes do passado.

      As crises sanitárias recentes levaram a atividade econômica a um movimento em forma “V”, ou seja, um deslocamento abrupto da produção no período de um semestre e a absorção do choque em um prazo semelhante, após o cancelamento das restrições.

      No entanto, a duração desta epidemia não pode ser comparada as anteriores ou ter a sua duração assegurada, até o momento.

      Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS),  a duração dessa pandemia dependerá de quanto tempo levaremos para atingir o pico de contaminação; de quantas ondas de contaminação deverão ser controladas; qual o grau e por quanto tempo a imunidade dos sobreviventes está garantida e principalmente, por quanto tempo conseguiremos manter as pessoas em isolamento social e inativas economicamente.

      Com honestidade, só é possível garantir que o mundo entrará em recessão econômica pelos próximos 6 meses, sendo o processo de retração mais ou menos destrutivo ao bem estar social e a recuperação futura, conforme a habilidade do poder público de implementar medidas emergenciais, que garantam o consumo básico dos cidadãos e a liquidez das empresas.

      No Brasil:

      “The problem with political jokes is they get elected” – Henry Cate VII

      Com relação ao Brasil, ainda são poucos os lances em torno do crescimento econômico, após a Covid-19. Apenas UBS, de forma apressada e bastante otimista, ajustou o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, para 0,5% em 2020.

      Mesmo antes da pandemia, as projeções se comprometiam com níveis de crescimento entre 2,3% e 2,5% ao ano para o Brasil, ou seja, mais que o dobro do crescimento de 1,1%, alcançado em 2019.

      Investimentos que levem ao crescimento de uma economia, dependem de um ambiente político estável e coordenado, algo que ainda não conseguimos construir, após as eleições de 2018.

      Neste sentido, antes dessa crise sanitária, o crescimento da economia brasileira em 2020 estaria limitado ao intervalo de 1,3% a 1,6% ao ano, alcançado pela reintegração de um grande estoque de capital físico e humano ocioso e não da adição de novos valores a economia brasileira.

      Neste sentido, antes dessa crise sanitária, o crescimento da economia brasileira em 2020 estaria limitado ao intervalo de 1,3% a 1,6% ao ano, alcançado pela reintegração de um grande estoque de capital físico e humano ocioso e não da adição de novos valores a economia brasileira.

      O risco trazido pelo Covid-19 para economia brasileira é colossal. Adia a agenda de reformas que poderia trazer mais competitividade ao país, interrompe o esforço de recuperação das contas públicas, e exposição de forma definitiva, as fragilidades políticas e técnicas do Presidente da República e de seu Ministério da Economia.

      Em meio a uma crise onde não existem certezas, o discurso do presidente da república diverge dos líderes internacionais, confronta o legislativo, desautoriza seus ministros, coloca em risco o sistema de saúde e dispersa suas próprias bases.

      Na economia, o Corona-19 evidenciou o repertório limitado do ministro Paulo Guedes, pautado por sua experiência na administração privada, pouca prática política e insuficiente em política alocativa, distributiva e de rendas.

      Suas sugestões na composição das reformas são apêndices descartadas pelo legislativo por falta de consistência, como foi o caso do sistema de capitalização na reforma da previdência e a tributação sobre operações financeiras, no caso da proposta de reforma tributária.

      Com a crise trazida pela Covid-19, o ministro da economia deixa transparecer a falta de conhecimento sobre a sociedade brasileira e a máquina pública.

      Embora a duração da epidemia não possa ser assegurada, a recuperação econômica brasileira não seguirá o padrão observado nas crises sanitárias anteriores, quando a partir do controle da pandemia é possível uma recomposição acelerada dos indicadores de crescimento.

      Se antes da Covid-19 estávamos limitados a um crescimento baixo, devido à falta de habilidade do governo em formar alianças e operacionalizar um plano de recuperação econômica abrangente, após os confrontos e as desautorizações assumidas na condução desta crise sanitária, estamos expostos ao desmanche do poder executivo, a ocorrência de conflitos sociais e a estagnação econômica.

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